O estresse de grupos subrepresentados é uma teoria elaborada com mais profundidade pelo Dr. Ilan Meyer. Esse conceito explica como grupos subrepresentados sexuais e de gênero, especialmente pessoas LGBTQIA+, sofrem com situações sociais estressantes que prejudicam sua saúde mental ao longo do tempo.
Casais LGBTQIA+ frequentemente precisam ocultar aspectos de sua relação devido à discriminação social que enfrentam. Alguns exemplos de estresse de grupos subrepresentados incluem a internalização da homonegatividade (quando pessoas LGB internalizam estereótipos culturais sobre a sexualidade de pessoas do mesmo gênero), expectativas de rejeição e vigilância constante nas interações sociais. Esses fatores impactam diretamente a saúde do relacionamento.
A teoria do estresse de grupos subrepresentados destaca três fatores relevantes nas interações românticas: homonegatividade internalizada, ocultação e consciência do estigma (expectativa de rejeição). Níveis elevados desses fatores estão associados a uma menor satisfação nos relacionamentos LGBTQIA+.
O contexto social em que o casal vive influencia diretamente a dinâmica do relacionamento. O medo de violência psicológica e física pode tornar gestos simples, como andar de mãos dadas — algo comum para casais cisheteronormativos —, um ato de hipervigilância para casais dissidentes.
Pessoas LGBTQIA+ mais velhas frequentemente relatam ter ocultado seus relacionamentos da sociedade por anos, principalmente porque desviar da cisheteronormatividade era considerado uma psicopatologia no século 20. Isso impediu que muitos casais vivenciassem momentos que casais heterossexuais experimentam cotidianamente.
A família, que para muitos é um refúgio, pode se tornar um espaço hostil para casais LGBTQIA+, privando-os de uma rede de apoio crucial. O fundamentalismo religioso em muitos lares cria barreiras à aceitação da orientação sexual e identidade de gênero, dificultando ainda mais o estabelecimento de relacionamentos afetivos.
Embora o caminho para uma maior aceitação social de pessoas LGBTQIA+ seja desafiador, ele é possível. O estresse de grupos subrepresentados afeta a qualidade dos relacionamentos na comunidade, mas não determina seu fim. Busque apoio em pessoas confiáveis, defenda políticas inclusivas para grupos subrepresentados sexuais e de gênero e, se necessário, procure ajuda de um profissional de saúde mental para cuidar de si mesmo.